Diversos estudos confirmam que, de uma forma geral, as pessoasnão sabem ouvir e raramente adquirem competências auditivas que escutar.
Tudo começa com o ato de valorizar realmente o que as outraspessoas têm a dizer. Ouvir com empatia implica a conjugação de trêscomportamentos específicos. Em primeiro lugar, o consumo real de informações -reconhecendo os sinais verbais e não-verbais emitidos pela outra pessoa.Depois, o processamento, quando atribuímos sentido ao que a outra pessoa está adizer. Finalmente, surge a resposta – quando validamos a mensagem recebida(validação não significa necessariamente concordância).
Tomar notas enquanto se escuta pode ajudar a manter o foco nospontos mais importantes do discurso de outra pessoa.
Uma pessoa sociável e realmente extrovertida possui imensasqualidades positivas, mas ouvir verdadeiramente pode não ser uma delas. Parauma pessoa super consciente e muito ocupada pode relevar-se difícil ouvir,perante a distração de um monitor ou pela pressão de chegar a horas a umareunião. Reconheça seus padrões. Autoconhecimento é fundamental para se ser umbom ouvinte.
Conseguir perceber quando a nossa mente divaga é determinantepara descobrir o que nos impede realmente de ouvir. A nossa atenção dispersaquando estamos a antecipar e a preparar uma eventual resposta? Ou quandodeixamos que o nosso espírito crítico se sobreponha ao que devíamos estar aouvir? Realmente, não é possível fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Quandoisto acontecer, anote o tema e volte a focalizar a sua atenção no discurso daoutra pessoa.
Adicionalmente, as nossas próprias emoções e sentimentos podemrevelar-se bloqueadores de conversas. Uma reação emocional, uma avaliação, umjulgamento podem fazer-nos perder o sentido do que as outras pessoas têm adizer.
Quando alguém nos traz uma dificuldade ou problema, é frequente“ouvirmos” recorrendo à partilha das nossas próprias experiências similares, outentando desvendar imediatamente uma solução ou correção da situação, ou mesmo,não argumentando e deixando o outro falar. Estudos demonstram que a melhorforma de acalmar estas situações é ouvir e colocar perguntas, ajudando a pessoae percebendo em conjunto a origem do seu desconforto, angústia e frustração.
A questão central deste tema reside no facto de pensarmos maisrápido do que falamos. Portanto, assim sendo, pode ajudar a focalizar sedirecionarmos o nosso cérebro para outras tarefas complementares: fazeranotações de pontos-chave da conversa, procurar sinais não-verbais na pessoaque está a falar, equacionar o que o orador pode não estar a dizerpropositadamente, ou mesmo, avaliar a relevância e o impacto do seu discurso.
A eficácia do discurso depende mais da forma como as pessoasouvem do que da qualidade da prestação do orador. É mais difícil transformartodas as pessoas à nossa volta em melhores oradores, do que trabalharmos todospara nos tornarmos melhores ouvintes.
Texto adaptado do artigo da autoria de Sarah Green publicado em https://www.hbr.org/, no dia 6 de fevereiro de2015