A maioria das pessoas tem algumaresistência ao conflito. Em vez de abordar as questões diretamente, tenta ser “agradável”, acabando por gastar uma enorme quantidade de tempoa falar sozinhos – reclamando, sentindo-se frustrados,ruminando sobre algo que já aconteceu, ou antecipando algo que poderáacontecer. Essas conversas geralmente soam a algo como isto:
“O meu colega interrompeu-menovamente. Nós deveríamos estar a fazer isto em conjunto e esta é a sua maneirade mostrar quem é o chefe. Ele faz-me parecer mal em frente à equipa. Eu estoucom isto na minha cabeça, o dia todo. ”
“Alguém tem de dizer ao meusubordinado que sua má atitude está a afetar o resto da equipa, mas eu tenhoreceio. Estive a pensar sobre isso o dia inteiro e não consegui fazer nada”.
“Eu sei o que eles vão dizer- que não podemos ter mais recursos devido às restrições orçamentais. Provavelmentevou apenas desistir deste assunto”.
É-lhe familiar?
Aqui está o problema: estesesforços para ser “agradável” podem ter custos bastantesignificativos. São criadas relações que não são nem autênticas nemconstrutivas e a sua saúde e autoestima sofrem também com isso. A suaorganização e forma de trabalhar perdem-se, assim como a diversidade de pensar,que é fundamental para a inovação, ou para a produção de melhores soluções.
Abaixo estão algumas dicas paraquando se encontrar a evitar o conflito:
Reconhecer que ser agradável é uma estratégia ultrapassada. Emalgum momento da sua vida ou carreira, provavelmente, sofreu as consequênciasde um conflito, no qual foi envergonhado ou criticado. Quando isso acontece,muitas vezes preferimos acomodar-nos a sentir-nos assim novamente. Escolhemos asegurança, a paz e a harmonia em vez de nos manifestar-nos.
Quando se questiona por que motivo não quer ter conversas difíceis, a resposta normalmente resume-se ao medode sentir certas emoções novamente. E, muitas pessoas acabam por ter um momento “a-ha” quando percebem que não são mais aquela versão mais jovem desi mesmos; são agora pessoas mais experientes, mais madura, e com novascompetências e know-how.
Concentre-se nas necessidades de negócios. Quando você evita oconflito, na verdade está a colocar o foco diretamente sobre si. Sobre como sesente isolado num canto, sobre como os outros podem interpretar as suasatitudes… Mas isto não é sobre si. Tire o foco de si e do seu medo econcentre-se naquelas que são as necessidades do negócio. Fale objetivamente efaça pedidos. Use observações, e não rótulos.
Mantenha uma atitude calma. As pessoas que evitam conflitos muitasvezes assumem que têm de ter um olhar agressivo, arrogante, ou desrespeitoso.Não. Pode – e deve – ser você mesmo e permanecer acessível, não julgar, e ter calmanestas situações, sendo claro, e tendo o foco nas necessidades de negócio.
Comece com pequenos passos. Como qualquer músculo que se constrói efortifica, é necessária prática e repetição antes que seja possível demonstraras habilidades. Comece com situações mais fáceis primeiro e tente resolver oconflito de forma retrospetiva.
Aos poucos, cada uma destas novasexperiências irão ajudá-lo a reformular o conflito, a partir de algo que vocêteme, para algo que – quando devidamente abraçado – pode ajudar a desenvolverpositivamente o negócio.
Adaptado do artigo da autoria de Amy Jen Sun publicado em www.hbr.org no dia 6 de junho de 2014.